From: "Claudia Modell" Date: Mon, 26 Oct 1998 10:36:54 PST Subject: Antes de Pusher 1/1 Title - Antes de Pusher Idiom - Portuguese Author - Claudia Modell E-Mail address - cmodell@hotmail.com Homepage - http://www.geocities.com/TelevisionCity/1828 Rating - PG for emotional content Category - S Spoilers - None Keywords - Pre XF Summary - I wrote this before Kitsunegari but with some information about it. Modell is a little boy with a strange power, but something changes his destiny forever. The story is in Portuguese. Antes de Pusher Eram 3 horas de uma tarde quente de Domingo. Seus pais tinham saido e ele brincava com sua irma do lado de fora da casa. Ela nao queria brincar do jeito dele, queria somente brincar no pequeno balanco. Isso o deixava irritado. Ela era a unica pessoa que nao fazia exatamente o que ele queria. Talvez por ser tao pequena. Ele entao a deixava brincar em um canto e, normalmente saia a procura de seus amigos do bairro. Mas hoje isso era impossivel. Seus pais pediram que ele cuidasse da irma menor. Entao ele ficou la, olhando para a irma que dava risadinhas enquanto se divertia no balanco, enquanto ele planejava seu primeiro dia de escola. Ele ja havia decidido que nao queria se sentar no fundo ou no meio da sala. Ele queria ser o primeiro, para poder testar a professora. Ha dois anos ele havia comecado a notar que bastava falar com calma e educacao que as pessoas o atendiam. Mas a epoca imaginou que o mesmo acontecia com todos. Agora, com 12 anos, ele ja havia notado que essa especie de poder era exclusivo dele. Assim, apos essa descoberta, passou a testar o tal poder em seus pais, colegas e professores. Ele notou que usando a voz de forma pausada e suave, o "poder" funcionava melhor do que quando estava nervoso ou irritado. Assim, aprendeu com rapidez a controlar seus acessos de raiva. Ele sabia que bastavam palavras suaves para conseguir exatament o que queria. O problema agora, e tambem sua maior diversao, era descobrir ate que ponto ele poderia ir. Ja havia descoberto que sua irma, talvez pela idade, era totalmente imune a ele. Seus pais, no entanto, eram vitimas perfeitas. Quando queria algo como assistir televisao ate mais tarde bastava olhar para a mae e falar com delicadeza. Ela fazia o que ele queria e nem ao menos se dava conta do porque da proibicao. Com seu pai a brincadeira era mais perigosa. Ele nao era homem de se deixar levar por palavras doces. Na verdade o garoto mal tinha tempo de abrir a boca, quando estava diante do pai. Mas justamente por isso este se tornou o maior desafio. As surras vinham com frequencia, mas depois de alguns anos aperfeicoando a tecnica estas se tornaram cada vez mais raras. Na escola, com os amigos, a situacao era completamente diferente. Ele realmente tinha poder sobre todos. Nao usava isso de maneira abusiva. Tinha poucas ambicoes e um senso de justica que nao o deixava passar doslimites. Assim, o maximo que fazia era convencer os amigos a jogar futebol ao inves de andar de bicicleta. Com os professores seu poder de convencimento era uma arma incrivel. Suas notas nao eram baixas ao ponto de comprometer sua media, mas tambem nunca foram altas. Assim, ele nao tentava aumentar suas notas, apenas fazia com que os professores o vissem sempre como um aluno exemplar, a despeito das notas. Tambem conseguia faltar as aulas ou sair mais cedo. Era exatamente o queria fazer no dia seguinte. Sair mais cedo da aula para ir a cidade. Ele queria assistir a uma demonstracao da policia, que havia sido anunciada na TV. Seu grande sonho era, algum dia, se tornar um policial. Gostava de ter o poder de instigar as pessoas, mas gostaria de representar o proprio poder. De ser respeitado. Alem do que acreditava que a policia, o FBI, o exercito ou qualquer coorporacao, eram compostos de homens honrados que estavam sempre buscando distribuir a justica, como antigos guerreiros. Ele estava la sentado, absorto em seus pensamentos e sonhando com o futuro, que esqueceu-se completamente de sua irma. Quando notou, sua irma ja nao dava suas risadinhas e o balanco estava vazio. A principio achou que ela tivesse entrado em casa. Ele entrou e chamou por ela, procurou nos quartos, cozinha, banheiros. E nada. Foi as casas dos vizinhos, perguntou por ela, mas ninguem a havia visto. Seus pais chegariam logo, e ele nao queria que sequer desconfiassem que ela havia desaparecido. Mas nao havia traco de sua irma. Apos algum tempo procurando e ja completamente desonrientado e apavorado, ele achou melhor chamar a policia. Quando viu a viatura policial chegar ficou ligeiramente mais tranquilo. Confiava completamente nos policiais. Tinha certeza de que eles achariam sua irma. Dois policiais desceram do carro e vieram ao seu encontro, e comecaram a fazer perguntas. Muitas perguntas, ele mal tinha tempo de responder e eles perguntavam novamente a mesma coisa. Ele estava nervoso, preocupado com a irma, e a atitude dos policiais o deixou mais nervoso ainda, ao ponto de nao conseguir responder a perguntas simples como a idade da irma e ate mesmo seu nome. Os policiais passaram entao a acusa-lo e a perguntar onde estava a menina, e ele somente repetia que nao sabia, que queria encontra-la. Ele, entao comecou a chorar, explicando que nao sabia onde ela estava, que nao havia escondido a irma, ou que nao a havia machucado, como insinuavam. Mas os policiais nao o ouviam. Um deles segurou seu pescoco por tras e o jogou com forca no banco traseiro do carro policial. Em seguida bateu a porta com violencia. O menino estava cada vez mais assustado. Seus vizinhos observavam tudo e nada faziam. Ele se sentia humilhado e apavorado, e acima de tudo desesperado pelo destino de sua irma. Ele foi levado ate a delegacia e quando chegou, iniciou-se novo interrogatorio. As perguntas que faziam a ele eram absurdas e as acusacoes eram de que ele havia matado a propria irma. Ele repetia incessantemente que nao era verdade. Mas ninguem parecia ouvir. Um dos policiais sentou-se a sua frente e batia com a mao na mesa com forca. O outro ficava andando atras dele e perguntando sempre a mesma coisa. Em seguida seus pais chegaram e quando a porta se abriu ele sentiu alivio em ver seu pai. Foi ao seu encontro procurando apoio, mas tudo o que recebeu foi um violento tapa no rosto que o derrubou. Os policiais seguraram seu pai, antes que batesse nele novamente. Seu pai foi retirado da sala, mas ele continuou la, sempre ouvindo as mesmas perguntas e dando a mesma resposta. Apos algum tempo, que pareceu a ele uma eternidade, um outro policial entrou na sala, e disse que a menina havia sido encontrada e estava bem. Ela havia ido ao sotao e adormecido. Ele podia voltar para casa. O garoto entao foi liberado, sem maiores explicacoes ou qualquer pedido de desculpas. Os pais o levaram para casa, mas nao lhe dirigiram qualquer palavra. Naquele momento percebeu que havia perdido a confianca de seus pais. Perdeu tambem o seu sonho de menino, sua ideia de que a policia era composta de homens justos. Tudo o que passara havia sido uma grande injustica. Quando chegou em casa sua irma estava na porta. Ele correu para abraca-la. Ela sorriu para ele. Era tudo o que importava para ele, e esse sorriso, a partir desse dia, foi a unica coisa que realmente importava. Ele havia crescido, ja nao morava com os pais. Terminou o colegio e nao tinha qualquer intencao ou dinheiro para ir a uma faculdade. Nao sabia o que fazer. Lembrou-se de seus sonhos infantis de ser um policial e decidiu deixar a magoa de lado e tentar ingressar na policia. Achou que seria facil e a prova escrita realmente foi. A entrevista com os entrevistadores e o psicologo, seria sua parte mais facil, devido ao seu poder. Bastava usar sua voz e convencer os entrevistadores e psicologo que ele era perfeito. Isso seria facil. Mas nao foi. Nas provas escritas foi bem, mas o exame psicologico e a prova oral foram um desastre. Ele nao conseguia se livrar da lembranca do abuso de poder cometido pelos policiais quando ainda era uma crianca. Quando estava diante dos examinadores perdia sua concentracao, suava e mostrava nervosismo. Nao conseguiu passar no exame. Tentou outras vezes mas o resultado era sempre o mesmo. Agora ja estava se tornando uma obsessao. Era um grande desafio. Como ele prentendia dominar a vontade das pessoas se sequer dominava seus proprios sentimentos? Ele tentou o exame no exercito, marinha, aeronautica, fuzileiros, e por fim no FBI. Mas foi tudo em vao. Sua vida estava totalmente arruinada e os unicos culpados eram aqueles policiais. Ele sentia odio quando se lembrava disso. Odio por ter perdido a confianca dos pais, odio por ter perdido a confianca em si mesmo. Quando ja havia desistido de ingressar em qualquer coorporacao comecou a ter dores de cabeca. As vezes sua visao ficava turva e ele ficava tonto. Decidiu procurar um medico. O diagnostico o deixou apavorado. Tumor maligno no cerebro. Passou por alguns dias de total desespero. Sua vida nao valia mais nada. Sua familia nao se lembrava sequer dele,exceto sua irma que no entanto morava longe. Ele nao achava justo jogar esse fardo nos ombros dela, que ao contrario dele tinha um futuro pela frente. Decidiu entao iniciar um tratamento, afinal o tumor era tratavel, segundo o medico. Apos algumas sessoes, no entanto, se sentia acabado. O corpo todo doia, tinha enjoos que o fizeram emagrecer demais, e dores de cabeca lancinantes. Resolveu parar o tratamento. Continuava indo ao hospital, para verificar como estava indo, mas nao queria se tratar. Se deu conta de que nao estava perdendo nada. Na verdade estava ganhando. Sim ganhando liberdade. Nao tinha nada a perder na vida. Nao tinha familia, e a morte nao o assustava mais. Decidiu entao se vingar. Era o unico meio de fazer com que aqueles policiais pagassem pela ruina de sua vida. Ele achava que os policiais eram os culpados, mas nao somente aqueles dois. Todos. Ele tinha um poder sobre a vontade das pessoas e apesar de nunca ter feito mal a ninguem, neste momento, tinha tanto odio que ja nao se importava com mais nada. Localizar os policiais que o prenderam quando crianca foi facil. Um ja havia morrido. Dificil foi aceitar esse fato e mais que o segundo policial estava velho e indefeso, e com certeza nao reagiria ao ataque. Ao saber disso sua mente ficou confusa. Seu pensamento era a vinganca. Ele precisava disso. Sabia que ia morrer, e tinha odio por isso. Queria que o mundo pagasse de alguma forma. Nao se importava se algum inocente iria pagar por isso. E entao foi adiante. Foi ate a casa do policial e bateu na porta. Uma mulher atendeu e ele pediu com delicadeza que ela o deixasse entrar. Ela nao resistiu. Eles foram ate a cozinha. Ele apanhou uma faca e pediu, sempre delicadamente, que ela enfiasse a faca em seu proprio estomago. Ele mal teve tempo de se esquivar do sangue que esguichava. Ela caiu aos pes dele, sem sequer pronunciar um som ou emitir um gemido. Em seguida morreu. Ele ficou nervoso. Olhou para a mulher morta e percebeu, com terror, que nao estava arrependido. Suas maos tremiam, e ele suava. Estava muito cansado. Se sentia mal. Sabia o porque. A doenca minava as suas forcas. Tinha que voltar para casa. Queria descansar. Precisava comer alguma coisa. Parecia que nao comia algo ha anos. Foi ate a geladeira. Havia uma lata com polpa de frutas. Ele comeu o conteudo e se sentiu melhor. Em seguida, pensou que talvez fosse uma boa ideia deixar uma especie de assinatura. Isso deixaria a policia enlouquecida. Era como se ele estivesse rindo dos policiais, e ele estava! Entao manchou com o sangue da mulher a parede da cozinha. Lembrou-se de uma historia sobre os samurais. Sobre como eram homens sem medo e que seguiam as ordens de seu mestre. Mas ele nao tinha um mestre. Entao escreveu RONIN, um samurai sem mestre. E foi embora. Em seguida iniciou uma serie de incursoes em casas de policiais e repetiu o mesmo ato. Descobriu que poderia ganhar dinheiro com o seu poder. Quanto nao pagariam a um assassino que nao mata suas vitimas mas faz com que elas se matem? Passou a anunciar seus servicos em revistas. O seu senso de justica ja nao existia mais. As regras da sociedade ja nao o freiavam. E muito menos o medo de morrer. Ele ja nao tinha medo de nada e nada mais lhe importava. A unica coisa que importava para ele neste momento era testar as pessoas ao maximo. Sua brincadeira infantil levada ao extremo e se transformando em uma brincadeira mortal, em que todos perdiam sempre. Ninguem resistia a suas palavras. O controle era total. Ate que um dia......... Fim