From: "Claudia Modell" Date: Mon, 26 Oct 1998 08:58:02 PST Subject: Ela nunca voltou Parte 1a/2 TITLE: Ela nunca voltou - Part 1a/2 AUTHOR: Claudia Modell E-MAIL: cmodell@hotmail.com IDIOM: Portuguese SUMMARY: A phone call. And Mulder is unsure about who is Scully. SPOILER WARNING: Duane Barry DISTRIBUTION STATEMENT: Everywhere RATING - PG - for the emotional content Category - A KEYWORDS - Mulder/Scully friendship Ela nunca voltou Ja passava das oito e Mulder ainda estava no escritorio. Scully ja tinha ido embora, mas ele quis ficar para examinar as fotos da cena do crime que eles estavam investigando. Era um caso banal, se comparado com os que eles normalmente investigavam.Ele ja estava decidido a ir embora quando o telefone tocou. Mulder disse alo tres vezes antes que a pessoa do outro lado se decidisse a falar. -Agente Mulder? -Sim, quem e? -Sua parceira nunca voltou. Click. O telefone ficou mudo. E quem era a pessoa que ligou? O que significaria aquela frase? Ele resolveu ligar para Scully, somente para ter certeza de que ela tinha chegado bem em casa. -Scully? -Mulder e voce? O que houve? -Nada, so queria saber a que horas voce vem amanha. Ainda temos muitas pessoas para interrogar. Ele disse isso disfarcando o embaraco de te-la chamado sem qualquer motivo. -Mulder, estarei na hora de sempre, nao se preocupe. -Ok, desculpe, nos vemos amanha. Boa noite. Mulder desligou o telefone e ainda ficou pensando sobre o que a mulher desconhecida lhe falou ao telefone. O que ela queria dizer com "sua parceira nunca voltou"?? Enfim ele resolveu deixar para o dia seguinte essa preocupacao. No dia seguinte, no entanto, ele ja havia se esquecido do incidente. Sua parceira estava ao lado dele como sempre, e nao havia qualquer motivo para se preocupar. _________________________________xxxxx________________________________ A sede dos Pistoleiros Solitarios estava em plena atividade. Os folhetos estavam sendo impressos, e os tres integrantes do grupo mal se falavam devido a grande quantidade de trabalho. Langly vasculhava os computadores alheios. Tudo normal portanto. Langly tinha conseguido entrar nos arquivos do FBI, mas nao era a primeira vez que isso acontecia. Resolveu entrar em alguns diretorios aparentemente inuteis, somente por curiosidade. Nao esperava encontrar nada de importante em diretorios que serviam a toda a rede do FBI. Entretanto verificou que um dos diretorios foi criado ha poucos dias. Resolveu olhar. Foi entao que sentiu um aperto no estomago. Havia uma lista de nomes. Com datas na frente, e cada um com uma frase. Alguns estavam catalogados como "sem volta", outros como "eliminado", outros ainda "devolvido". Mas o que o surpreendeu foi ver o nome de Dana Scully no meio daqueles nomes. A data que constava era a mesma da abducao ocorrida com ela anos atras. E apos a data vinha a frase "sem volta". Ele nao achou qualquer informacao adicional. A informacao que estava ali era estranha. Ela havia sido sequestrada e voltou depois de tres meses. Porque a etiqueta "sem volta"? Nada do que estava ali fazia sentido. Langly resolveu nao contar nada a seus colegas. Desligou o computador e disse que ia esticar as pernas. ___________________________xxxxxxxxxxx________________________________ Langly chegou na casa da Scully logo em seguida. Nem ao menos sabia se ela estava la, mas nao queria arriscar ligar para ela. Teve sorte. Ela estava. -Langly, ola. Ela ficou surpresa ao atender a porta. -Oi, desculpe vir na sua casa, mas eu realmente preciso falar com voce. -A vontade. Entre. O que houve? Entao ele relatou a ela o que tinha encontrado. Ela ficou surpresa e zangada em saber que seu nome estava arquivado ainda em relacao a sua abducao. De qualquer maneira nao entendeu o que significaria aquilo. Ela voltou da abducao. Sera que nao era para ela retornar? E os arquivos nao foram modificados? Mas Langly disse que o diretorio tinha sido criado recentemente. Entao isso nao fazia sentido. Ela decidiu entao falar com Mulder sobre o assunto. _______________________________xxxxxxxxx______________________________ -Tem certeza disso? Era mesmo isso que estava escrito? Que voce nao voltou? Ele parecia muito preocupado, mais do que ela imaginou que ele ficaria. -Mas eu nao acho que isso seja realmente um motivo de preocupacao Mulder. Afinal eu estou aqui. -Nao e isso. E que outra noite, antes de ligar para voce eu recebi um telefonema estranho. Alguem disse que voce nunca teria voltado. -Mulder, usando suas proprias teorias isso nao passa de uma campanha de desinformacao, ridicula por sinal. -Eu sei que tudo e estranho, mas nao se preocupa que seu nome conste em um arquivo do governo e mencionado dessa forma?? -Mulder, eu nao sei e sinceramente prefiro nao saber. Ja fui envolvida demais nessa trama. O implante no meu pescoco. O cancer. Prefiro nao ter mais nada a ver com esse pessoal que trabalha nas sombras. -Mas voce nao pode fugir disso. Voce ja esta envolvida. Seu nome esta naqueles arquivos. Eu acho que temos que investigar isso a fundo. -Entao Mulder, voce vai estar sozinho nisso. Ele ficou ao mesmo tempo chocado e triste. Era no interesse dela que ele queria investigar. Mas ela nao queria isso. Mesmo assim ele decidiu prosseguir, mas nao tinha ideia de como fazer isso. Que pista seguir? A quem procurar? Resolveu procurar a ultima pessoa que ele gostaria de encontrar. O canceroso. Ele sabia de todos os detalhes da abducao da Scully. Nao havia outra saida . Ele precisava saber se Scully corria algum risco. Mesmo que isso nao interessasse a ela. Nao foi dificil encontra-lo. Alias era mais provavel que Mulder tenha sido encontrado. Mulder estava saindo do predio do FBI quando foi abordado por ele. -Senhor Mulder, soube que queria falar comigo. Deve ser um assunto muito importante, dada a hostilidade com que sempre me tratou. Ele disse no tom ironico que lhe era peculiar. -A hostilidade continua, pode ter certeza. O que eu preciso e de uma resposta. -E porque o senhor acha que eu lhe daria qualquer resposta? -Eu nao sei. Daria? -Nao posso afirmar antes de saber a pergunta. -Entao vamos ver. A Agente Scully esta catalogada em um arquivo do governo, como "sem volta". O que isso significa? Mulder olhou atentamente para o homem a sua frente, e percebeu que a reacao inicial dele havia sido de raiva. Essa era uma faceta do Canceroso que Mulder nao conhecia. Ele sempre se mostrava calmo, ironico e seguro de si. Mas naquele momento ele o viu zangado, e isso o preocupou. -O que houve? Mulder perguntou com curiosidade. -Sr. Mulder, existem coisas que talvez ninguem deva descobrir. Coisas que estao escondidas ha muito tempo. -Se essas coisas a que se refere devem ficar escondidas, porque eu pude ter acesso a elas com tanta facilidade? -Isso e que me intriga. Como teve acesso a essa informacao? O Canceroso parecia agora muito interessado na resposta de Mulder. -E essa e a questao. Que informacao e essa??? O que significa "sem volta"? -Sr. Mulder, sem volta significa sem volta. E exatamente o que significa. Sua parceira nunca voltou. O Canceroso falou isso mas nao parecia muito seguro de sua propria afirmacao. Mulder lembrou das palavras do homem desconhecido ao telefone. As mesmas palavras. -O que esta dizendo e que Scully nunca voltou da abducao? Percebe o que esta dizendo? Ela esta aqui, eu trabalho com ela ha anos. -O senhor ja respondeu a sua propria pergunta. Eu realmente nao tenho mais nada a acrescentar. -Supondo que voce esteja falando a verdade, quem seria a pessoa com que eu venho trabalhando? Mulder tinha medo dessa pergunta, mas havia uma resposta que tinha que ser dada. -Talvez ela seja um clone, Senhor Mulder. -Talvez?? Voce nao saberia? -Senhor Mulder, eu com certeza sei que existem casos de abducoes que nao tiveram volta. Nao sabia que sua parceira era um deles. -Eu nao acredito em voce! -Em que parte nao acredita? Que ela seja um clone ou que eu esteja no escuro sobre esse assunto? -Os dois. Tudo o que ele havia dito nao tinha qualquer nexo. Scully um clone??? Isso era ridiculo. Ele nao saber o que estava acontecendo? Impossivel. Mulder decidiu que nao tinha mais nada a falar com aquele homem. Suas mentiras nao iriam atingi-lo. Provavelmente tudo nao passava de uma conspiracao para faze-lo perder a confianca na unica pessoa em quem ele podia confiar. Ele nao ia deixar isso acontecer. Decidiu ignorar o que tinha ouvido. Decidiu esquecer este assunto. Mas isso nao foi tao facil. Ele foi para casa e passou a noite pensando no assunto.As perguntas que lhe vinham a mente eram respondidas por ele mesmo, mas as respostas que encontrava eram rebatidas por novas pergutas. Scully nunca voltou da abducao? Claro que ela voltou. Ela estava ao lado dele todos os dias. Ela quase morreu de cancer, que ocorreu por causa do implante no pescoco dela. Mas a cura foi inexplicada pela ciencia. O implante foi colocado durante sua abducao. Mas a que servia exatamente? A teoria que ele tinha era de que o implante servia para manter controle das pessoas abduzidas, armazenando as memorias destas pessoas. Mas e se o chip servisse para controlar os clones? E se na verdade ao inves de retirar informacoes da memoria das pessoas, o chip na verdade implantasse as memorias do original no clone? Isso explicaria a utilidade dos implantes, manter o clone informado sobre a memoria do original e controlar todos os passos do clone. E uma vez retirado o chip todo a trama ficava em perigo. O consorcio ou seja la quem fosse que tivesse arquitetado o plano, nao teria mais controle sobre os clones, e isso era perigoso. Entao o chip funcionava como uma bomba relogio. Tudo ia bem enquanto estava no corpo do clone, mas uma vez retirado o corpo sofria de uma doenca perfeitamente conhecida entre os humanos, e assim nao havia suspeitas. Tudo havia sido previamente estudado. A Colonizacao ja havia comecado, ele ja sabia disso. Ja havia tido provas de que isso ja vinha ocorrendo. Agora parecia tudo tao claro. Tao facil de entender. Mas nao de aceitar. Seus pensamentos voltaram para Scully. Ele nao podia aceitar que ela fosse um clone. Teria sido ele enganado tao bem durante esses anos?? E nao somente ele, mas tambem o seu superior, e a familia dela. Todos enfim. Mas havia outra coisa que nao entendia. O sangue dela era normal. Nao era verde como o dos clones que havia encontrado. Mas isso tambem tinha uma explicacao plausivel. Era somente um dos tipos de clones. Ele se lembrou da colonia que havia visitado, e do que Jeremiah Smith lhe havia dito sobre os diferentes tipos de clones. Entao Scully era na verdade um clone avancado, projetado para conviver perfeitamente em nossa sociedade. Com as memorias da Scully original implantada no chip. O fato de Scully estar esteril tambem poderia ser consequencia nao da abducao em si, mas do fato de ela ser um clone. Mas qual seria o verdadeiro motivo para que tivessem colocado um clone ao lado dele? Estaria a verdadeira Scully morta? Ou esse clone foi colocado somente para manter Mulder sob controle?? Mulder lembrou-se que Scully foi abduzida num momento em que estava claro que ela confiava nele completamente, e nao estava disposta a fazer jogo duplo. Mas essa Scully, que agora ele mentalmente se referia como o clone, nunca o havia traido. Ele nao tinha motivos para achar que ela trabalhava contra ele. Mesmo quando ela atirou nele, o que ela estava visando era protege-lo de ser acusado de homicidio. Mulder nao sabia mais no que pensar. Ja se sentia culpado por nao confiar em sua parceira. Resolveu parar de pensar sobre o assunto. Iria tentar descobrir mais no dia seguinte. ______________________________xxxxxxxxx______________________________ Ela chegou um pouco mais tarde na manha seguinte. Mulder ja estava ansioso esperando por ela. Ele queria confronta-la, mas nao sabia como. Tudo o que havia pensado na noite anterior nao fazia qualquer sentido a luz do dia. Era tudo um absurdo e se Scully jamais duvidou da sanidade de Mulder, essa seria com certeza a primeira vez. Mas ele resolveu ir aos poucos. -Scully, voce se lembra de algo que tenha ocorrido durante a sua abducao? Ele sabia que este era um terreno perigoso. Ele temeu que ela ficasse furiosa com essa pergunta. Mas ela simplesmente disse Nao. Somente isso. Nao. Ele ficou desconcertado com a falta de elementos conseguidos nessa abordagem. Resolveu continuar. -Scully, qual e a ultima coisa que voce se lembra? -Mulder, onde voce quer chegar realmente? Porque nao faz uma pergunta clara e objetiva? Agora sim, ela parecia um pouco zangada. Por alguma razao desconhecida ele se sentiu mais a vontade com esse sentimento. -E que eu estive pensando sobre o que o Langly te falou. Sobre o arquivo com seu nome. -Sim?? Ela nao parecia muito interessada, nem mesmo em saber o que ele pensava. Ela sempre foi arredia quando o assunto era a abducao. Mas porque? -Falei com o Canceroso tambem. -Voce esta andando com estranhas companhias Mulder. Scully escondia um sorriso, ou era impressao dele. Afinal ele disse que conversou com o Canceroso e ela nem ao menos piscou. -Eu sei, mas e que eu precisava ter uma resposta sobre aquele arquivo. -Mesmo que seja referente a mim e que eu nao queira que voce investigue? Agora sim, Scully zangada. Ele se sentia mais a vontade. -Eu precisava saber, acho que isso diz respeito a mim tambem, e ao meu trabalho no departamento. -Sei, e como isso pode afetar voce? -Digamos que eles tenham colocado aquele chip em voce somente para poderem controlar os seus e os meus passos. -Mulder sua paranoia ainda consegue me surpreender. Eu nao sei se o chip servia a esse proposito. A unica coisa que eu sei e que eu quase morri sem ele. -Entao voce tem que concordar que a presenca do chip e necessaria para que voce continue saudavel. -Sim, eu nao tenho explicacao para isso, mas e verdade. -Voce nao tem uma explicacao cientifica para dizer porque a falta do chip causa o cancer. Mas e uma explicacao cientifica para o fato de que um pequeno chip nao poderia causar cancer, ou melhor a retirada do chip causar cancer. Isso e totalmente sem explicacao, concorda? -Sim, Mulder, eu concordo. Nao consigo achar a explicacao para esse fato. -Mas o seu conhecimento de medicina e o suficiente para buscar essa resposta certo? -Mulder, acho que meus conhecimentos de medicina nao podem ser julgados por um leigo. -Podemos parar com esse interrogatorio inutil? Ele ja tinha ido tao longe. Nao podia voltar atras. Nao teria outra oportunidade ou a coragem necessaria. -So mais uma pergunta. E se a medicina que voce estudou nao fosse adaptavel aos parametros relativos ao chip? Quero dizer, voce estudou medicina aplicavel a pessoas normais..... -Mulder! Aonde quer chegar??? Que eu nao seria uma pessoa normal?? Ou que eu nao seria sequer uma pessoa? Acha que eu sou o que? Um clone??? -Acho. Ela ouviu. Nao disse nada. Virou as costas e saiu do escritorio. Mulder se sentiu ao mesmo tempo perdido e aliviado. Agora ela tambem teria que pensar nessa possibilidade. ____________________________xxxxxxxxxx________________________________ Ela realmente estava furiosa. Mas mais do que isso estava preocupada. Ela havia visto os clones. A existencia deles era incontestavel, mesmo que ela nao soubesse como explicar. Mas dai a dizer que ela era um clone..... Nao isso era demais. A paranoia de seu colega estava se tornando fora do normal. Se e que algum dia foi. Apesar da raiva que tinha tomado conta dela e da tristeza em pensar que seu parceiro nao confiava nela, ela achou melhor ligar para ele. Ela pediu que eles se encontrassem em algum local. Ela tinha que enfreta-lo. Dizer a ele que ele tinha ido longe demais. Eles se encontraram e conversaram por algum tempo. Ele estava calmo e ela ja havia se acalmado o suficiente para nao gritar com ele. Afinal ele nao estava bem, aquilo era somente uma projecao da paranoia que sempre existiu nele e que agora, devido a algumas informacoes sem fundamento, estava aumentando. Ele disse a ela novamente o que havia passado a noite toda a remoer. Os motivos porque ele achava que ela era um clone. Ela escutou e ate concordou que tudo fazia sentido. Mas ela lembrou a ele que a pessoa a colocar essa ideia na cabeca dele tinha sido o Canceroso. Um homem no qual nao se podia confiar. E alem disso o arquivo que Langly tinha encontrado tambem nao servia como suporte para essa teoria absurda. Afinal que arquivo secreto e esse que esta disponivel para toda a rede do FBI? Mulder escutou tudo com calma e ja havia se convencido de que na verdade tudo nao passava de um plano para fazer com que ele perdesse a confianca nela. Sim, ele tinha sido um tolo. Como podia sequer imaginar que ela era um clone??? Que tipo de clone e esse que esta sempre ao lado dele? Sempre arriscando a vida por ele? Que clone e esse que, sendo mandado para controla-lo, passa o tempo todo a dar apoio a ele em todas as investigacoes, inclusive contra o proprio consorcio? Apos essa longa conversa ele resolveu ir para casa. Ela se sentiu mais tranquila sabendo que ele ja tinha se convencido que ela era o que era, ou seja, um ser humano, que era sua parceira e que estava sempre do seu lado. Ele pediu desculpas a ela e prometeu nao pensar mais no assunto. Ela o perdoou e eles foram embora. __________________________xxxxxxxxxxx_____________________________ Quem nao estava muito contente com toda aquela confusao era o Canceroso. Ele sabia que haviam abduzidos que nunca voltavam, e que eram substituidos por clones. Mas o que ele nao sabia e que Scully tinha sido um desses casos. Ele resolveu verificar pessoalmente, e descobriu que estava enganado. Scully havia voltado. Mas a questao agora era, porque alguem teria colocado a falsa ideia de que ela nao teria voltado? Ele ja havia confrontado os membros do consorcio outras vezes e estava disposto a faze-lo de novo. Afinal era uma coisa que ele nunca suportou, ser deixado de fora de qualquer operacao. E se Scully realmente nao tinha voltado entao nao era o caso somente de ele ter sido deixado de fora, como tambem enganado sobre o assunto. Ele se encontrou com um de seus colegas, o homem que em segredo ele chamava de Cara de Lua. Ele lhe disse que tudo nao passava de um mal entendido. Que Scully tinha voltado. Que eles nao se arriscariam tanto ao ponto de colocarem um clone lado a lado com Mulder. Que toda aquela coisa era um absurdo. O Canceroso a principio seguiu essa linha de raciocinio, acreditando no seu colega, mas depois ficou imaginando que na verdade nao era um mal entendido o que tinha ocorrido. Afinal nao somente o arquivo ficou a mostra, podendo ser facilmente encontrado, como tambem houve um telefonema para Mulder. O proposito teria sido de fazer com que Mulder nao confiasse em sua parceira. Ele ate entendia os motivos, e sinceramente achou que foi uma boa ideia. Mas porque deixa-lo de fora? Ele tinha que descobrir de onde surgiu toda a trama. Quem teria dado o telefonema? O Cara de Lua nao sabia. Estaria ele tambem no escuro quanto a isso? Ele achava que nao. Ele resolveu ir a fundo nisso. _____________________________xxxxxxxx_________________________________ Apesar de Scully ter perdoado seu parceiro e lhe dito para nao pensar mais no assunto, ela nao conseguia parar de pensar nisso. Um clone! Era demais. Afinal ela saberia se era ela mesma ou nao. Ou nao?Sim, saberia. Mas e se as memorias foram implantadas incluindo memorias de infancia, de sua vida inteira? Entao ela realmente teria a memoria do original e acreditaria que era a verdadeira. Isso seria necessario para que tudo funcionasse com perfeicao. Se o proprio clone acreditasse que era o verdadeiro entao o projeto nunca estaria em perigo. Meu Deus, ela ja estava comecando a achar que era um clone. Isso estava se tornando destrutivo e absurdo. Era melhor nao pensar mais no assunto. _________________________________xxxxxxxxx____________________________ Mulder nao teve melhor sorte na tentativa de esquecer o assunto. Mas ele nao estava mais tao convencido de que Scully seria um clone. Sua preocupacao agora era descobrir porque quiseram que ele acreditasse nisso. E quem fez isso? O Canceroso ele tinha certeza de que nao tinha sido. A expressao de raiva que ele viu no rosto do homem era genuina. Ele realmente nao sabia de nada sobre o assunto. Mulder agora estava sem caminho para seguir. Sua unica esperanca de lancar luz no caso era, por mais absurdo que fosse, a confianca de que o Canceroso iria procurar saber a verdade. Mulder detestava isso. Depender daquele homem para qualquer coisa. Mas era um mal necessario. Ele iria aguardar. ________________________________xxxxxxxxx_____________________________ End Part 1a Ela nunca voltou Parte 1b/2 Nao precisou esperar muito. Um telefonema no meio da noite e o Canceroso lhe disse que nao era verdade. Que sua parceira nao era um clone. Mas que ele tambem nao sabia como e porque aquilo tinha sido dito a ele. Mulder desligou o telefone. Entao tudo nao passava realmente de uma campanha de desinformacao perpetrada somente para fazer com que ele perdesse a confianca em sua parceira. Mas o que o preocupava agora e que ele tinha se deixado enganar. Ele realmente acreditou que ela nao era quem dizia ser. Ele disse isso para ela. Nesse momento Scully devia estar odiando ele. Nao importa que tenha dito que o perdoava. Ele nao se perdoava. Ele sentiu que isso havia abalado o relacionamento dos dois. ______________________________xxxxxxxxxx______________________________ Scully atendeu ao telefone. Era tarde e ela imaginou que fosse Mulder. -Agente Scully? -Sim, quem e? Era uma pergunta retorica ja que ela sabia quem era. Reconhecia a voz do Canceroso em qualquer lugar. -Agente Scully seu parceiro esteve fazendo algumas perguntas, queria uma resposta definitiva sobre um assunto referente a voce. -Sim, eu soube. Deu a resposta a ele? -Dei a resposta que conhecia. Ou seja, que o que ele descobriu nao e verdade. -Eu nao precisava saber isso vindo de voce. -Mas aparentemente ele precisava. -Escute, eu nao tenho mais nada a conversar com voce. Ela desligou o telefone zangada. O que esse homem estava insinuando e que seu parceiro nao confiava nela. Mas estaria ele errado? Afinal Mulder a confrontou, dizendo que achava que ela era um clone.Ele realmente nao confiava nela. Isso tinha abalado o relacionamento deles. Seja la quem for que planejou isso alcancou o seu objetivo. ________________________________xxxxxxxxxx____________________________ No dia seguinte eles mal se falaram. Ele por se sentir envergonhado, por nao ter confiado nela. Ela por sentir raiva ja que ele nao confiou nela. Mas a raiva maior que ela sentia era de si mesma. Ela nao confiou sem si mesma. Ela por algum momento acreditou que fosse um clone. -Scully, eu queria te pedir desculpas de novo. Foi ridicula essa situacao. Eu nao tinha o direito de sequer pensar que voce nao e quem e. -Mulder eu gostaria de esquecer esse assunto. Para dizer a verdade eu mesma tive duvidas. -E parou de ter essas duvidas? -Sim. Nao sei se por causa do telefonema daquele homem, o Canceroso. Ou se por ter recuperado o bom senso. -Ele te ligou? -Sim, acho que para verificar pessoalmente que o plano dele tinha funcionado. Que a nossa confianca mutua foi prejudicada. -E voce acha que foi? -Voce acha mesmo que tudo vai ser como antes Mulder? Voce vai sempre ter essa duvida com voce. Nao importa o que eu faca. Voce sempre vai achar que eu nao sou a verdadeira. -Escute Scully, se eu acreditei nisso tudo e justamente porque me importo com voce. Pensar que havia um clone aqui, significa que a verdadeira estaria em algum local, presa, em perigo. Eu nao podia aceitar isso. -Sim Mulder eu entendo seus motivos. Mas o que me preocupa e o quanto voce esta convencido que eu seja a verdadeira. -Eu estou convencido. -Porque o Canceroso falou pra voce que eu sou? Desde quando voce acredita nele desse jeito? E porque voce nao acredita por voce mesmo? -Eu nao acredito pelo que ele disse. Eu acredito porque acredito. Porque conheco voce. Porque confio em voce. -Era so isso que eu queria ouvir Mulder. Agora vamos deixar esse assunto de lado para sempre. Ok? Ele concordou e os dois passaram a trabalhar no caso que vinham investigando. ___________________________xxxxxxxxxxxxxxx____________________________ A sala de reunioes estava cheia. Somente um dos homens que trabalhavam no grupo nao estava presente. Os outros acharam melhor nao chama-lo, devido ao envolvimento dele no caso que queriam discutir. Eles sabiam que o Canceroso podia ser um homem muito perigoso, principalmente se descobrisse que tinha ficado de fora no assunto em questao. Eles estavam agora pensando em como resolver o problema. A informacao de que a Agente Scully e um clone vazou deliberadamente, sobre isso nao havia qualquer duvida. A questao agora era decidir o que fazer. Deixar o clone trabalhando juntamente com Mulder? Devolver a Scully original? Isso seria complicado. Seria quase uma admissao de culpa. Afinal ela contaria tudo, ou se nao tivesse o que contar ainda assim haveria o problema dos anos todos em que a clone trabalhou junto com Mulder. Como implantar na verdadeira Scully essa memoria? Os clones eram facilmente manipulaveis, mas os seres humanos nao. A decisao final foi que eles deveriam correr o risco. Deveriam implantar falsas memorias na Scully verdadeira. E deviam comecar essa operacao o mais rapido possivel. Mas acima de tudo essa decisao nao podia sair dessa sala. ___________________________________xxxxxxxxxxxxxx_____________________ Uma semana ja tinha se passado desde o telefonema que Mulder recebeu. O assunto ja estava enterrado, ao menos era o que os dois pensavam. Mas eles tinham motivos para pensar que tudo tinha acabado. Estavam convencidos de que tudo nao passou de um plano que nao funcionou, um plano que visava somente destruir o relacionamento deles. Mas agora eles estavam totalmente envolvidos em um caso de homicidio, tendo que, inclusive, se ausentar da cidade. Eles tinham viajado na noite anterior para Detroit, para dar prosseguimento as investigacoes. No final do dia eles ja tinham interrogado os parentes da vitima e nao tinham chegado a nenhuma conclusao. Estavam cansados e seguiram para o hotel. Scully decidiu ir dormir cedo e se despediu de Mulder. Mas dormir para Mulder nao era tarefa muito facil, principalmente quando estava em meio a alguma investigacao. As horas passavam e ele nao conseguia dormir. Entao ouviu um barulho. Vinha do quarto da Scully. Era o barulho de alguma coisa caindo. Ele resolveu verificar se estava tudo bem. Bateu na porta, mas nao houve resposta. Ele insistiu. Nada. Comecou a se preocupar. Arrombou a porta e examinou o quarto. Parecia tudo bem. Mas e Scully? Onde estava? Ele foi ate o banheiro e a encontrou caida. Ele chamou uma ambulancia, que chegou em pouco tempo. Enquanto esperava ele procurava por tracos de violencia. Mas ela nao parecia machucada. A ambulancia a levou para o hospital. Os medicos no hospital fizeram uma serie de exames. Apos meia hora um deles veio falar com Mulder. Disse que nao havia encontrado vestigios de violencia. Que nao percebeu qualquer ferimento na cabeca. Nem havia vestigios de drogas. Ou seja, nao havia motivo para que ela estivesse inconsciente. O medico disse que ia aguardar para ver se ela acordava sozinha. __________________________________xxxxxxxxxxxxxxxx____________________ No dia seguinte ela acordou. Estava relaxada, nao sentia dores. Nao estava assustada. Parecia que nem havia notado o que tinha acontecido. Mulder foi falar com ela. -Ei, se sente bem? -Oi Mulder, nunca me senti tao bem. Pegaram ele? -Alguem te atacou entao. Nao, nos nao o pegamos, mas nao se preocupe com isso. Vamos cuidar disso a seu tempo. Ela tocou na cabeca, a procura de ferimentos. Mas nao haviam ferimentos. -Pensei que tivesse batido com a cabeca na mesinha. Tive essa impressao. -Nao, voce nao se machucou, esta tudo bem. Voce so precisa descansar. Eu vou deixar voce agora e depois venho para que a gente descubra quem te atacou. Voce pode fazer um retrato falado. -Mulder eu sei quem me atacou. Nao ha necessidade de fazer um retrato falado. -Quem e?? -Duane Barry. Mulder entrou em panico. Em um segundo seu cerebro fez todas as conexoes. Tudo ficou claro. A Scully que trabalhou com ele ate ontem era um clone. E essa era a verdadeira. E foi devolvida. Somente agora foi devolvida. A ultima coisa que ela se lembrava era das circunstancias do proprio sequestro. Ele nao sabia mais o que pensar. Estava apavorado com a ideia de ter trabalhado durante anos com um clone. Mas estava mais apavorado com a ideia de contar essa estoria a Scully. Ela nao entendeu a razao do nervosismo dele. -Mulder o que houve? -Nada. Duane Barry ja foi preso. Nao temos com que nos preocupar. Durma agora ok? -Foi preso quando? -Durma, mais tarde a gente conversa. Ele nao a deixou dizer mais nenhuma palavra. Saiu imediatamente do hospital. E resolveu ligar para o seu superior. Disse-lhe que devido ao incidente com a Scully eles estariam voltando no dia seguinte para Washington. E que o caso seria passado para a policia local. Skinner compreendeu e aceitou a ideia de Mulder. ______________________________xxxxxxxxxxx_____________________________ Mulder e Scully nao conversaram muito durante a viagem. Ele estava arredio e ela nao compreendia o porque. Mas resolveu nao forcar. Ela achou que ele estava chateado porque estavam voltando e deixando um caso em aberto para tras. Ela ainda nao entendia como tinha se esquecido dos eventos apos seu sequestro por Duane, mas Mulder lhe disse que tudo voltaria ao normal. E ela tambem achava a mesma coisa. De fato ja comecava a lembrar de muitas coisas. Mas, o que ela nao sabia e que nao tinha esquecido somente uma ou duas semanas mas mais de dois anos. Mulder sabia que ela descobriria cedo ou tarde. Ele temia esse momento. Mas nesse instante o que o preocupava mesmo era o paradeiro do clone. Era uma sensacao estranha. Ele estava preocupado com um maldito clone. Mas esse mesmo clone trabalhou com ele durante anos. O protegeu, o defendeu, esteve ao lado dele em momentos tristes e alegres. Ele nao podia simplesmente apagar todos esses anos. Decidiu que procuraria saber onde ela estava. Iria ao inferno para descobrir. Mas o que lhe preocupava tambem era como dizer a Scully que seu pai e sua irma tinham morrido. E como dizer a ela tudo o que tinha acontecido durante todo esse tempo? Ele estava desnorteado. Nada na sua vida o preparou para isso. Achou melhor nao contar nada a ela. Afinal ele nao sabia como ela reagiria. Na verdade ele mal conhecia sua parceira. Ele conhecia bem aquela que ele pensava ser sua parceira. Apesar disso ele nao podia deixa-la de lado. Nem mesmo o clone. _________________________________xxxxxxxxxxx__________________________ Ele a levou ate a casa dela. Ele estava curioso sobre a reacao dela ao ver sua casa mudada. Eles chegaram e realmente ela notou as mudancas. Mas ele percebeu que isso para era ela normal, ja que ele lhe tinha dito que ela havia esquecido os acontecimentos apos o sequestro. Mas o que ela nao podia imaginar e que tinham se passado anos desde aquele dia. -Scully. Eu preciso falar com voce. Eu sei que esse nao e o momento. Mas e necessario. -Pode falar, desde que nao seja ainda sobre aquela sua teoria absurda. -Que teoria? Ele tinha que se lembrar que teoria ele tinha apresentado a ela antes do sequestro. Mas isso era impossivel. -Sobre eu ser um clone Mulder. -O que??? -Nao se lembra? Voce me falou isso antes de irmos pra Detroit. -Eu ... Nao, nao e sobre isso. Agora sim ele estava confuso. Afinal, se ela nao se lembrava de nada apos o sequestro, como se lembrava do que ele tinha dito a ela antes de viajarem? -Pensei que voce nao se lembrasse de nada desde o seu sequestro. -E estranho, eu tambem achava que nao me lembrava. Mas o que aconteceu nos ultimos meses me parece que aconteceu ontem. De qualquer maneira comecei a me lembrar dos acontecimentos apos o sequestro. -Deve ter sido uma especie de trauma entao. Ele tinha que falar com ela. O fato de ela se lembrar do que aconteceu ha duas semanas nao era um elemento significativo. Afinal a memoria do clone poderia ter sido implantada nela. So havia um meio de descobrir. Era fazendo um raio-x e vendo se o chip ainda estava la. Mas era isso que ele queria? Ele realmente queria saber a verdade? Sera que essa verdade era tao importante assim? Afinal as memorias do clone, se e que isso realmente aconteceu, estavam implantadas nela agora. Entao era como se ela nunca o tivesse deixado. Afinal sao as memorias que fazem a pessoa ser o que e? Era a experiencia dos dois trabalhando juntos que importava. E o fato de que a verdadeira Scully estava do lado dele agora, e se lembrava de tudo que tinham passado juntos, era o que realmente valia. Ele nao precisava saber a verdade. Nao competia a ele saber essa verdade. Como o proprio Canceroso disse, e ele tinha que concordar dessa vez, existem verdades que devem continuar escondidas. Quanto ao clone, se e que ela realmente existiu, ele nao podia fazer nada. Buscar justica ou tentar salva-la era seria um risco. E talvez fosse um risco inutil. Ele tinha consciencia de que a essa hora o clone nao existia mais. Ele entao disse a sua parceira. -O que eu queria te dizer e que as vezes meu lema de nao confiar em ninguem assume proporcoes que eu mesmo nao desejo. Eu nao tinha o direito de desconfiar de voce. Eu fiz o jogo deles, e nao pretendo fazer mais isso. -Fico muito contente que voce tenha chegado a essa conclusao, Mulder. Espero mesmo que esse assunto tenha morrido. E agora que tal cada um ir descansar um pouco. Amanha sera um dia normal de trabalho. -Nos vemos de manha entao. -Ate amanha. ________________________________xxxxxxxxxxx___________________________ Ele foi embora e ela ficou sozinha com seus pensamentos. Mas seriam seus pensamentos? Ela nao queria que Mulder desconfiasse que ela tinha duvidas sobre o que tinha acontecido. Sobre si mesma. Ela se lembrava que ele tinha lhe dito que achava que ela era um clone. Se lembrava muito bem, mas nao sentia nada. Alias ela se lembrava da morte do pai e da irma. Sentia tristeza, mas nao se lembrava do sentimento que tomou conta dela na epoca das mortes. Era isso que estava faltando. As memorias estavam la, mas os sentimentos relativos as lembrancas nao estavam. Isso a levou a pensar que a pessoa que estava ao lado de Mulder nao era ela na verdade. Era de fato um clone. Mas o que isso signifcava exatamente? Ela se lembrava de cada detalhe desses anos. Era como se ela nunca tivesse ficado ausente. O que lhe foi tirado foi a dor de cada lembranca. Isso nao era tao ruim. Mas e as alegrias das lembrancas? De qualquer forma ela nao podia recuperar aquilo. Ou melhor, estava sendo dificil para ela ate pensar nisso. Resolveu enterrar o assunto, assim como Mulder havia resolvido. Ele nao lhe tinha dito, mas ela sabia da decisao dele. Ela tinha certeza que ele tinha decidido nao mais pensar sobre isso. E foi isso que ela fez. _______________________________xxxxxxxxx______________________________ -Scully. Temos um novo caso para resolver. Ele estava euforico, como cada vez que um caso estranho lhe caia nas maos. -O que e dessa vez? Algum caso de vampirismo? Ela falou com o tom ironico de sempre. Entao ele relatou toda sua teoria sobre o caso. E enquanto ele falava ela levantava a sobrancelha demonstrando seu ceticismo. E ele vendo o ceticismo dela pensou. Tudo voltou a ser como sempre foi. Ela voltou. Fim. (Continua?? Voce decide se deixa tudo como esta ou se o senso de justica do Mulder e maior) End part 1b/2 Ela nunca voltou - Parte 2/2 Ela acordou com uma dor de cabeca terrivel. Tentou lembrar o que tinha acontecido, mas so conseguia lembrar de ter ido para o quarto do hotel em Detroit. Agora estava acordando em uma casa vazia. Foi ate a janela e viu que estava em um campo. Nao tinha mesmo a minima ideia de como tinha ido parar la. E onde estava Mulder? Ela tentou manter a calma, afinal ela nao estava ferida, e pelo jeito nao era prisioneira. Nao estava amarrada pelo menos. E tinha certeza que Mulder devia estar procurando por ela. Achou melhor se deitar um pouco para ver se a dor de cabeca passava. Ela daria tudo por uma aspirina naquele momento. Em poucos minutos tinha adormecido. Mas nao completamente. Estava naquele estado entre a vigilia e o sono, em que a mente fica atenta ao que ocorre mas o corpo nao pode reagir a nada. Mas ela estava se sentindo bem, a dor de cabeca estava passando, e ela ouvia somente um som vindo de fora. Era um som conhecido, mas que a aborrecia. Mais do que isso, algo na sua mente lhe dizia que era um som perigoso. Mas ela estava cansada demais, e se deixou levar pelo sono. Entao comecou a sonhar. Em seu sonho ela via Mulder correndo, mas nao em direcao a ela. Ele corria dela. Ela corria atras dele, pedindo que esperasse por ela. Mas suas pernas nao obedeciam. Ao mesmo tempo ela ouvia aquele barulho. Ela olhou em volta e entendeu de onde vinha o barulho. Eram abelhas, milhares delas. Todas vindo em sua direcao. Entao ela gritou para Mulder. Gritou o mais alto que pode. E ele se virou. Ela gritou que ele esperasse, que as abelhas estavam atras dela. Entao ele respondeu com voz calma "Elas nao farao mal a voce". Mesmo falando baixo ela o ouviu perfeitamente. E ele continuou repetindo. "Calma, elas nao vao fazer mal a voce". Repetia isso sem parar. Mas entao ela notou que nao era mais o Mulder que estava falando com ela. Era Jeremiah Smith. Ela acordou assustada. E ficou mais assustada ainda com o que viu. _____________________________xxxxxxxxxxxx____________________________ Mulder tinha decidido esquecer o assunto sobre clones e o sequestro de sua parceira. Mas isso tinha se tornado dificil. Por mais que tentasse ele nao conseguia se livrar do sentimento de culpa por estar abandonando o clone da Scully. Ele dizia a si mesmo que era somente um clone, que ja teria ate sido eliminado. Mas nao adiantava. Ele se sentia o pior dos homens por fazer isso. Nao discutia o assunto com Scully. Mas pressentia que ela sabia de algo. E se ela realmente soubesse que havia um clone no seu lugar? E que ela tinha sido mantida prisioneira por tanto tempo? Entao era ainda pior, afinal ele estava abandonando sua parceira, mesmo que fosse um clone. Era a sua parceira ate algumas semanas atras. Deviam fazer um tratado de psicologia sobre isso. Ele mesmo com todo seu conhecimento da psique humana nao conseguia colocar em ordem seus sentimentos em relacao ao assunto. Mas enfim estava decidido a ir atras do clone. Faria isso sem que a Scully soubesse. Era um risco grande, ir atras do clone e ainda por cima nao deixar Scully saber. Mas era melhor assim. Se descobrisse que ela estava morta se sentiria...... Como se sentiria???? Aliviado? Pela morte da pessoa que sempre esteve do lado dele? Que salvou a vida dele?? Triste? Pela morte de um clone? Que foi colocado ao lado dele para vigiar seus passos? Realmente ele nao fazia ideia de como iria reagir. Talvez tivesse fazendo isso para si proprio. Para ficar em paz com a propria consciencia. Foi nesse momento que ele viu que estava seguindo o raciocinio de um crapula. Ele estava sendo um crapula. Mas percebeu tambem que qualquer coisa que fizesse o faria um ser sem escrupulos. Deixar o clone a sua propria sorte era a atitude esperada de uma pessoa como o Canceroso. Ir atras do clone significava uma traicao contra sua parceira. Afinal seria como afirmar que o clone tinha sido uma otima parceira e ele precisava dela. Mas o que o deixava mais triste consigo mesmo era o sentimento que estava tomando conta dele. O desejo de fazer com que o clone sumisse. Com que nunca tivesse existido. Ele sentia que se Scully estava do seu lado, entao o clone podia ter o fim que fosse. Ele nao precisava saber. Mas ele lutou contra isso. Resolveu ir atras do clone. Quanto a Scully ele depois decidiria como contar a ela. Agora tinha que descobrir como achar o clone. ______________________________xxxxxxxxxx______________________________ Ver Jeremiah Smith era a ultima coisa que ela esperava. Tinha certeza que ele estava morto. Ou nao estava? Ele estava falando com ela. Dizendo a ela que ficasse calma. Ela entao perguntou onde estava. E de onde vinha aquele zunido de abelhas. -Elas estao la fora. Nao precisa se preocupar. Abelhas so atacam quando sao provocadas. -O que eu estou fazendo aqui?? -Voce foi trazida de volta para casa. Aqui e seu lar. Voce vai se sentir melhor mais tarde e vai se lembrar de tudo. -Essa nao e minha casa. Eu quero ir embora imediatamente. Preciso usar o telefone. -Nao temos telefone aqui. Como eu ja disse, descanse. Mais tarde vou responder a todas as suas perguntas. Mesmo querendo ir embora, ela achou que a ideia de descansar nao era tao ma assim. E adormeceu quase imediatamente. Dessa vez nao sonhou, apenas dormiu profundamente. _______________________________xxxxxxxxxx_____________________________ Mulder ligou para o escritorio de Marita Covarrubias. Ele sabia que ela conseguiria descobrir algo sobre o clone. Ela foi um tanto quanto evasiva ao telefone, mas eles marcaram um encontro e poderiam falar com mais tranquilidade. >Eu preciso saber algo. Acho que voce poderia descobrir isso para mim. Se estiver disposta. >Eu sei o que o senhor procura Agente Mulder. Ela esta a salvo. Esqueca que ela existiu. >Esta viva? Esta bem? >Sim, posso lhe garantir isso. >E como pode garantir? Voce sabe onde ela esta? >Eu ja lhe mostrei coisas demais, e ja dei informacoes demais. Informacoes que podem servir por muito tempo. Nao tenho nada de novo a acrescentar Sr. Mulder. >Entao e so isso? Ele mal teve tempo de fazer essa pergunta, e ela ja estava indo embora. Nao tinha sido de grande utilidade. Ele lembrou das vezes que ela o tinha ajudado. Nao muitas por sinal. Uma vez lhe conseguiu o passaporte para a Russia. E da primeira vez que se viram, apos a morte do Mr. X, ela tinha lhe mostrado que o que ele tinha visto era verdade. Que havia um campo onde.... Isso! O campo onde estavam os clones! Ela tinha dado aquela informacao. E agora ela tinha lhe dito exatamente onde estava o clone. Foi facil. Ele tinha sido estupido em nao ver isso. Mas ai se lembrou. Aquele campo nao existia mais. Quando Marita Covarrubias lhe mostrou as fotos da colonia, o campo ja nao existia mais. E agora? Onde procurar? Talvez fosse uma ideia procurar todos os campos em que se criavam abelhas. Falando assim parecia facil. Mas talvez a colonia nao tenha se mudado para muito longe. _________________________________xxxxxxxxxx___________________________ Finalmente ela acordou. Estava se sentido muito melhor agora. Mas o zumbido das abelhas continuava. Resolveu tentar abrir a porta. Tinha certeza que estava trancada. Mas resolveu arriscar assim mesmo. Ficou surpresa ao verificar que a porta estava aberta. Saiu da casa e percebeu porque eles nao tinham medo que ela fugisse. Eles estavam no meio do nada. Um enorme campo. Haviam algumas plantacoes, e uma enorme estufa. E, e claro, as abelhas. Estavam por toda parte. Mas nao chegavam perto dela. Ela decidiu que era melhor nem ao menos abanar as maos, lembrando-se do que Jeremiah tinha dito a ela. Ela resolveu fazer uma exploracao. A ideia era seguir com calma pelo campo ate estar longe o bastante e correr. Correr sem parar. Ate encontrar um ser humano normal que a levasse de volta para Washington. E foi o que ela fez, seguiu andando calmamente. Mas antes mesmo de conseguir uma boa distancia, ela ouviu uma voz. -Vejo que acordou disposta a caminhar. Nao era Jeremiah Smith. Era um homem desconhecido. -Eu estou disposta a voltar para casa se nao se importa. Acho que sabe que sou uma agente do FBI e que sequestro e um crime federal. -Dana, nos precisamos conversar exatamente sobre quem voce e. -Entao sabe meu nome. Esta em vantagem em relacao a mim. -Nomes nao sao importantes. Mas me chame de John se quiser. Ele parecia uma pessoa muito calma. Se isso era um sequestro entao os sequestradores eram otimas pessoas. Esse pensamento a fez sorrir. -Entao, John, me diga, o que eu estou fazendo aqui? Porque estao me mantendo prisioneira? -Voce nao e prisioneira. Essa e a sua casa. Voce somente voltou para casa. Nao se lembra agora, mas com certeza vai se lembrar. -Escute eu nao sei quais sao as intecoes de voces, mas nesse momento meu parceiro esta a minha procura, e com certeza o FBI inteiro tambem, entao vamos fazer o seguinte, voces me deixar ir embora e eu nao falo nada sobre a existencia desse local. O que acha? -Parece ser uma otima oferta, Dana, mas nao acho que seja necessario. Seu parceiro nao esta lhe procurando. A verdadeira Dana Scully esta ao lado dele nesse momento. Nao ha motivo para ele procurar voce. Veja, talvez voce nao se lembre, mas voce e um clone, uma copia fiel da verdadeira Scully. -E quer que eu acredite nisso? Ok, eu acredito, agora posso ir embora? -Pode ir onde quiser, mas nao saia da propriedade. Ele a deixou sem dizer mais nada. Ela tinha ouvido aquele absurdo e tinha ate mesmo rido do que ele disse. Mas isso foi a mesma coisa que Mulder tinha lhe dito algumas semanas atras. Ela nao podia acreditar que Mulder iria aceitar o fato dela ter desaperecido. Mesmo que ele tivesse com aquela ideia absurda de que ela era um clone. Nao ele nao a abandonaria. _______________________________xxxxxxxxxx_____________________________ Ele visitou quinze apiculturas. Em cada uma delas teve que se passar por interessado no comercio de mel. Ja estava enjoado de provar mel de abelhas. E a busca parecia infrutifera. Mas ele sentia que nao podia parar. Ja estava decidido a prosseguir quando o celular tocou. Era Scully. -Mulder pode me dizer onde esta? E o que esta fazendo? -Na verdade estou atendendo a um pedido de um amigo. Ele pediu que eu desse uma olhada em um possivel uso de seres humanos como escravos. De onde ele tirou essa? Sua mente as vezes o deixava boquiaberto. Era a pior mentira que alguem ja tinha inventado. -Mulder, sinto muito interromper essa sua investigacao, mas Skinner quer falar com nos dois ainda hoje. -Sim, Scully, eu encontro com voce na sala do Skinner, as 3 ok? -Ok, espero voce entao. As tres horas ele estava la. Skinner recebeu os dois e explicou a eles o novo caso em que teriam que trabalhar. Mulder nao gostou muito de ser afastado de sua investigacao, mas a garantia de que o clone estava bem o deixou tranquilo, e trabalhar em um novo caso deixaria Scully menos desconfiada. ______________________________xxxxxxxxxxx_____________________________ Os dias passavam e ela ja comecava a perder as esperancas de que Mulder a encontraria. Talvez John estivesse certo. Mulder nao precisava mais dela. Ela era somente um clone. Ela nao valia muito, afinal clones podem ser refeitos. Isso a estava deixando deprimida. Ela ja nao estava confiando em Mulder. Ele realmente a havia abandonado. Tempo demais tinha se passado desde o dia do sequestro. Tempo demais. Sera que foi assim que a verdadeira Scully se sentiu enquanto estava sendo mantida como prisioneira? Sera que ela chegou a perder a confianca nele? Sera que ela comecou a odia-lo? Oh meu Deus, agora ela ja estava realmente achando que era um clone. Tinha que afastar esses pensamentos. Era exatamente o que eles queriam, que ela acreditasse que era um clone, que ela perdesse a esperanca. Queriam afasta-la de Mulder. Deixa-lo sem ninguem em que confiar. Mas o fato principal permanecia. Porque ate agora ele nao a tinha encontrado? E novamente ela respondia a sua propria pergunta. Porque ele nao queria. E ele nao queria porque ela era um clone. ________________________________xxxxxxxx______________________________ O caso que Skinner passou para eles tomou mais tempo e energia do que imaginavam. O confronto final com o assassino tinha sido uma batalha a ceu aberto. Dois policiais morreram durante o tiroteio. E Mulder viu sua parceira ser atingida por um estilhaco. Nao foi nada grave. Mas ele ficou assustado. Ultimamente tinha aquela ideia fixa de achar o clone. E agora percebia que estava deixando Scully de lado. Ele se sentiu culpado por isso. Nao podia fazer isso com ela, que ja tinha sofrido tanto. O sequestro por si so ja tinha sido uma experiencia terrivel, mas acordar e nao se lembrar que o pai e a irma morreram nao deve ter sido muito agradavel tambem. E mesmo sabendo disso la estava ele. Procurando pelo clone dela. Pelo ser que tinha lhe roubado esses anos. Pelo ser que tinha tido a audacia de sentir a tristeza das mortes de seus parentes no lugar dela. Ele nao podia abandona-la duas vezes. Ele a abandonou quando recebeu de volta o clone. Ele nao sabia que era um clone. Mas agora ele a estava abandonando para ir em busca do clone que ele sabia muito bem o que era. Esse abandono ainda era pior que o primeiro. Nao foi dificil decidir o que fazer. Se tendo que escolher entre a Scully ferida a sua frente ou a falsa Scully que estava bem e com saude em algum lugar, entao ele escolhia a primeira. _______________________________xxxxxxxx_______________________________ Ja tinha se passado muito tempo desde seu sequestro. Agora ela ja estava realmente convencida de que Mulder nao estava procurando por ela. A principio essa certeza a fazia triste. Mas agora ela estava mais do que decepcionada com ele. Ela estava zangada. Nao a maltratavam ali, mas ele nao tinha como saber disso nao? Como ele podia ter feito isso? Ela nunca imaginou que ele a abandonaria. Mas ja haviam se passado mais de cinco meses, pelo que ela pode contar. Era tempo demais. A vida nao era ruim no campo. Ela tinha toda a liberdade, nao podendo somente sair da propriedade. Nos primeiros meses ela tentava fugir sempre. Mas agora ja nao tentava mais. Sabia que nao havia nada para ela la fora. Sua familia nem ao menos sabia que ela havia desaparecido. Sua familia. Ela ainda ficava confusa com isso. Seria ela realmente um clone? Ou estavam fazendo uma especie de lavagem cerebral nela? Para convence-la de que era um clone. Entao o clone estaria la, com Mulder. E com a familia dela. Usando as roupas dela, Indo para o trabalho no carro dela. Ela se sentiu como se tivesse sendo roubada. Mas pensou, que se ela era um clone entao ela e que roubou durante esses anos. Ela que usufruiu da vida de outra pessoa. Era tudo muito confuso. Ela nunca imaginou que ia ter duvidas sobre si mesma. Mas estava tendo. Tinha dias em que ela tinha certeza de que era um clone. Dias em que sentia em casa, e em que tinha lembrancas de um passado que nao era o seu. Essas lembrancas eram mais vividas, mais reais que as de sua familia, de sua infancia. Os dias em que sabia que era um clone, ou os dias em que achava que estava sofrendo lavagem cerebral, tinham alguma coisa em comum. A raiva que estava sentindo porque Mulder nao vinha busca-la. Ora, se ela nao era um clone, ele nao tinha o direito de abandona-la. E se ela era um clone, isso nao era motivo suficiente para ele desistir de salva-la. Em pouco tempo a raiva que ela estava sentindo cresceu. Ela estava comecando a odia-lo. ____________________________xxxxxxxxxxxxxx____________________________ Mulder ja tinha desistido de procurar pelo clone. Ver sua parceira ferida, por menor que fossem os ferimentos, o tinham feito pensar muito. E ele tomou sua decisao. Iria prosseguir seu caminho sem olhar para tras. Ele ja estava realmente convencido disso, mas teve um encontro com Marita. Ela lhe disse que sabia onde estava o clone. E lhe deu todos os elementos para acha-la. Agora cabia a ele a decisao. Enquanto era impossivel encontra-la ele nao teve problemas. Apenas disse a si mesmo que nao seria possivel acha-la e que sua parceira precisava dele ali. Mas agora a situacao era diferente. Ele sabia onde o clone estava. Tinha que ir ate la. Tinha ao menos que ve-la. Nem que fosse pela ultima vez. _____________________________xxxxxxxxxxxxxx___________________________ Ela ouviu um zumbido. Mas nao era das abelhas. Era um barulho forte. Fazia tempo que nao ouvia o barulho de um automovel. Ela se virou para ver o carro. Era um carro muito conhecido. Ela e Mulder costumavam alugar sempre um parecido. Um Ford Taurus. Ela sentiu como se fosse desmaiar. Tinha esperado tanto tempo que ele viesse a procura dela. Depois havia perdido as esperancas e comecado a nao desejar ve-lo nunca mais. Mas agora la estava ele. Como ela reagiria estando frente a frente com ele? O que diria? E o que ele diria? Como se explicaria a ela por ter deixado passar tanto tempo? So havia um meio de descobrir, e era indo de encontro a ele. Naquela hora do dia nao havia muitos integrantes da colonia por perto. E ela achava que eles nem notaram a chegada do carro. Ela foi na direcao do automovel. O carro parou e Mulder desceu. Ela parou em frente a ele. Os dois se olharam por algum tempo. Nenhuma palavra foi trocada. Ele nao conseguia colocar os pensamentos em ordem. Ela estava diferente. Nao exatamente fisicamente, mas havia algo nela, no olhar dela que ele nunca tinha visto. Ela olhou para ele sem sentir nada do que achava que sentiria. Nem mesmo a raiva que acumulou. Mulder rompeu o silencio. -Ela voltou. -Sim, eu soube. Voce conseguiu o que queria Mulder. -Nao, eu nao queria isso. Eu nao busquei isso. Eles fizeram isso a nos. Eles nos usaram. -Agora isso nao importa mais. O que importava era como voce reagiria ao que eles fizeram. Voce tinha a escolha. Voce nao quis escolher. -Scully escute.. -Nao me chame de Scully. Me chame de qualquer coisa, ou nem me chame. -Dana, eu nao tive escolha. Eu nao podia.... -Voce nao podia? Voce tinha a escolha nas suas maos.!! Ela estava furiosa. Tao furiosa que comecou a chorar. Nao era uma coisa que gostasse de fazer, mas a raiva acumulada nesses meses a tinha deixado despreparada para o que seria o encontro real com ele. Com emocoes reais vindo a tona. -E sabe o que voce escolheu Mulder? Voce escolheu virar as costas. Fingir que eu nao existo. Nao importa o que eu seja eu existo. Voce entendi isso?? Voce entende que fui eu que salvei sua vida tantas vezes? Que fui eu que sofri de cancer por causa das suas crencas? Que fui eu que senti a perda de pessoas queridas? Voce percebe que a verdadeira Scully estava em um lugar como esse, descansando enquanto eu sofria por ela??? -Eu sei tudo isso. Eu sei e me reprovo por tudo isso. Mas como voce quer que eu abandone minha parceira? Eu ja abandonei uma vez. Quando ela foi sequestrada e mantida aqui, ou seja la onde for, eu recebi voce de volta, mas ela ficou sozinha, nao durante meses, mas durante anos. Voce roubou todos esses anos dela. E isso que voce precisa entender. -Eu roubei os anos dela? Eu sou tao vitima quanto ela Mulder! Olhe para mim! Eu estive do seu lado, eu salvei sua vida, nao uma, mas muitas vezes. Voce confiava em MIM! Eu! Voce consegue ver essa diferenca? Consegue distinguir entre a pessoa que esta do seu lado agora e eu? Nao ve que a confianca que voce tinha em mim foi adquirida com a experiencia? Ela nao teve a experiencia. Ela nao cacou os loucos que nos dois cacamos. -Ela tem essas memorias. -Pergunte a ela Mulder! Pergunte a ela se ela tem o sentimento dessas memorias. Eu tenho certeza que ela nao tem. Eu sei que ela nao sente nada quando lembra de voce apontando uma arma pra ela, naquele quarto de hospital. Ela se lembra. Mas nao sente nada. Ela e pior que eu, ela e somente uma copia de mim, com minhas memorias mas sem o que eu sinto. -Ela e real!! -Real? E eu nao seria real? Porque voce acha que eu sou parecida com ela Mulder? Eu tenho a mesma linha de dna dela. Eu nao sou ela, mas eu venho dela. A diferenca? Eu tenho os sentimentos e a memoria e ela somente tem a memoria. -E a alma? Quem tem a alma? -Alma? Vindo de voce isso fica estranho, ou sera que voce so usa argumentos religiosos quando e conveniente? E isso? Pois bem, respondendo sua pergunta, eu tenho alma sim, e tenho certeza que ela tambem tem. -Mas voce nao e ela. -E nem ela sou eu. -O que voce quer que eu faca??? Me diga!Quer que eu traga ela pra ca e leve voce comigo? -Nao. Eu so quero que voce va embora. Eu estava com muita raiva de voce. Mas agora eu nao sei mais o que eu sinto. Voce esta sendo uma decepcao pra mim. Espero que nao seja pra sua parceira. Ela virou as costas e foi embora. Ele entrou no carro, deu a partida e nao olhou para tras. Nao importava o que ela tinha dito. Ele nao podia fazer escolhas. Escolhas demais ja tinham sido feitas, e todas desastrosas. Ele nao ia cometer esse erro. Ela seguiu para a casa. A sua casa. Ela sabia agora que nao pertencia a outro lugar. Era essa a sua casa. Era aqui que ela tinha alcancado a paz que tanto ansiava. Mulder voltou para Washington. Nao iria contar nada do que tinha acontecido para Scully. Ela nao merecia saber. Ele ja tinha sido um lixo com a outra Scully. Ele sabia que o que ela tinha dito era verdade. Ele sabia e se sentia mal com isso. Mas nao havia escolha a fazer. Ele tinha que aceitar a situacao como ela foi apresentada a ele. Nao havia saida possivel. A dor e a culpa iria sempre persegui-lo, mas nao havia como escapar disso. E dor e culpa sempre estiveram ao lado dele. Ele podia conviver com isso. Ele se dizia tudo isso com pouca conviccao. Ele estava errado. Sabia que estava errado. Sentia em todo o seu corpo que estava errado. Era o clone a sua verdadeira parceira. E Scully que estava trabalhando com ele agora nao significava a mesma coisa para ele. Ele fez o trajeto ate a cidade chorando. Chorando por ter tido tantas oportunidades de resolver tudo, bastava que ele tivesse notado desde o inicio. Chorando porque ele abandonou Scully nao somente uma vez, mas muitas, e estava fazendo isso novamente. Mesmo que ela nao fosse a verdadeira. Chorando porque no trajeto ate a cidade ele estava deixando para traz anos de amizade verdadeira. E chorando principalmente porque nao havia nada que ele pudesse fazer quanto a isso. E enfim ele entendeu o telefonema. Sua parceira nunca voltou e nao vai voltar nunca mais. End part 2/2 Fim E isso. Triste ne? Bom, eu dedico essa historia a meu cachorro Laio. Aos dois. O verdadeiro e o clone:) So posso dizer que minha escolha foi bem mais simples ja que o verdadeiro morreu antes de ser trocado pelo clone.